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Biotrigo

Quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Sustentabilidade: manejos que exigem conhecimentos

Pesquisadores da agricultura têm encontrado soluções naturais para antigos problemas da produção rural. Numa das vertentes, a dos chamados bioinsumos, eles revelam que bactérias e fungos podem ser aliados do produtor. Mas lembram: os produtos elaborados com aqueles organismos precisam ter qualidade, em sua composição, e técnica, na hora da aplicação. Em outra vertente, é o mix de plantas e coberturas que oferece também diversas perspectivas, benéficas ao solo e às culturas. Nesta edição, a REVISTA DO PRODUTOR RURAL conversou sobre estes temas com pesquisadores. Os entrevistados assinalam que tanto na utilização de microrganismos quanto na de plantas, permanece um desafio já conhecido: compreender bem as tecnologias para saber aplicá-las com eficiência. Com isso, a assistência técnica segue sendo indispensável.

Agrônomo e pesquisador no Departamento de Agronomia da UNICENTRO, tendo se voltado, entre outras linhas, aos microrganismos benéficos à produção agrícola, Itacir Sandini afirma ver nos bioinsumos uma ferramenta importante. Ele conversou com a REVISTA DO PRODUTOR RURAL, no dia 17 de julho, recordando que aquele campo de estudo teve início há vários anos, no mundo, e mencionando algumas das opções identificadas pelas instituições de pesquisa em geral e atualmente utilizadas: “Hoje, existem disponíveis para a agricultura microrganismos para a promoção de crescimento, como o Azospirillum” – e cada qual, apontou, apresenta sua função específica: “Seja para controle de nematóides, os bionematicidas, assim como para determinadas doenças, como o fungo Trichoderma, para controlar o mofo branco”.

Para enfrentar pragas também surgiram inovações: “Vamos pegar o exemplo do Bacillus thuringiensis, que foi muito utilizado para controlar lagartas, que deu origem à própria questão do milho Bt”, completou.

Ainda segundo o pesquisador, a busca por alternativas prossegue: “Dentro desta linha, o que se tem é que as empresas, sejam privadas, sejam públicas, estão trabalhando no sentido de identificar novas cepas desses microrganismos e de novos que estão surgindo, como as Pseudomonas e a Beauveria, para determinados objetivos”.

O efeito das descobertas no campo, analisa, se mostra positivo: “Isso tem contribuído muito para o aumento da produtividade das culturas”. Ele observa que os bioinsumos se revelaram úteis inclusive frente a doenças foliares: “Seja para controle da ferrugem, do oídio, seja para controlar outras doenças”.

Também em Guarapuava a pesquisa tem se debruçado sobre este ramo da ciência há mais de uma década e produtores têm utilizado as novidades. “Temos alguns microrganismos que estão sendo largamente utilizados: o Bacillus subtilis, como promotor de crescimento para as leguminosas, especialmente a questão da soja e do feijão; o Azospirillum e as Pseudomonas, que são benéficos para a cultura do trigo e a do milho; e da mesma forma, a utilização de Trichoderma em grande escala para o controle do mofo branco”, especificou.

Mas para que se alcance o resultado esperado, Sandini, assim como outros pesquisadores da área, destaca ser preciso observar critérios técnicos definidos. Perguntado sobre o assunto, ele menciona o resultado de uma verificação que realizou: “Nós identificamos, ao longo desses 10 anos de pesquisa dentro do aspecto dos microrganismos benéficos, que também temos uma quantidade de células – ou de estruturas de reprodução do microrganismo – que vão contribuir para a resposta da planta. Se trabalhar com uma dose menor do que esta, não teremos uma maximização da produção. E por outro lado temos percebido, com maior frequência, quando se trabalha com uma quantidade de unidades formadoras de colônia muito maior do que efetivamente a planta consegue suportar, redução da produtividade da cultura em questão”.

Comentando que seu trabalho inclui avaliações de bioinsumos, o pesquisador lembra que aqueles itens, também a exemplo de outros destinados à produção agrícola, precisam ter sua performance confirmada para serem registrados junto ao Ministério da Agricultura e poderem ser comercializados: “Qualquer produto biológico, para ser passível de utilização pelo produtor, há a necessidade de se fazer a comprovação da eficácia agronômica”. O processo, disse, inclui várias fases: “A primeira delas é a seleção, ou seja, selecionar ou isolar um bom microrganismo, do ambiente, e depois avaliar se esse microrganismo vai ter eficiência biológica sobre as plantas”. Esta qualidade, complementou, inclui a chamada estabilidade: “O produto tem que se mostrar eficaz em quatro regiões distintas na mesma safra ou em quatro safras diferentes. Há necessidade da comprovação de que um determinado microrganismo vai ter um comportamento estável, em diferentes safras ou em diferentes ambientes” finalizou.

Em outro centro de geração de conhecimento sobre bioinsumos agrícolas no Brasil, a Embrapa Soja (Londrina -PR), a pesquisadora Mariângela Hungria, com longo estudo sobre microrganismos como as bactérias Rhizobium e Azospirillum, e hoje à frente do Laboratório de Bioinsumos do Solo da instituição, também afirma que aquela opção tecnológica tem trazido benefícios para várias culturas.

Ao falar com a REVISTA DO PRODUTOR RURAL, dia 22 de julho, ela mencionou avanços da pesquisa e sublinhou que, a seu ver, a extensão rural tem um papel importante para levar ao produtor uma visão ampla das alternativas biológicas. “A nossa linha principal aqui tem sido a utilização do que chamamos de bactérias promotoras de crescimento de plantas, para fazer uma substituição total ou parcial de fertilizantes químicos”, explicou.

Veja a matéria completa pelo link: portaldoprodutor.agr.br/revista-produtor-rural-ed-80

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