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Paran Silos

Quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Produtores rurais solicitam reforço no policiamento rural na região de Guarapuava

Patrulha Rural foi reativada na região. Esta era uma solicitação antiga do Sindicato Rural de Guarapuava

A preocupação com a segurança não é algo mais prioritário no meio urbano. No campo, os produtores rurais tem cada vez mais se preocupado e buscado maneiras de se proteger de furtos e assaltos.

Relatos na região de Guarapuava sobre roubos de objetos e animais (abigeato) têm aumentado significativamente nos últimos tempos. Há alguns meses a propriedade de João Laertes Rocha foi roubada, próxima ao distrito de Entre Rios. “Chegaram à noite, perto das 21h, em cinco elementos armados, renderam o funcionário e ficaram até 3h. Foram roubados três compressores de ar, ferramentas, peças de trator, pulverizador manual jacto e mataram uma vaca”.

Marco Aurélio Nunes, que possui propriedade rural no município de Pinhão, foi roubado em março deste ano.  “O funcionário não se encontrava, chegaram com caminhão e levaram seis vacas e três garrotes. Vimos apenas as marcas de caminhão e moto. O vizinho tem câmeras de segurança, mas as imagens não foram gravadas”. Ele conta ainda que uma semana após o roubo na sua propriedade houve outro roubo em uma chácara próxima, no distrito de Guarapuavinha. “Inclusive lá foi assalto a mãos armada. Quinze dias depois voltaram e entraram na casa do meu funcionário e carregaram tudo que tinha na casa dele”.

Outra produtora rural, que preferiu não se identificar, possui propriedade em uma comunidade pertencente ao município de Candói e relatou que os furtos em sua propriedade e nas vizinhas são frequentes. “Na nossa comunidade acontecem pequenos furtos de moradores da região mesmo. Mas já aconteceu também de irem pessoas de fora para roubar coisas de maior valor. Já aconteceu das pessoas irem pra lavoura, voltarem pra casa e a casa estar vazia”.

Segundo ela, a casa da propriedade já foi arrombada quatro vezes seguidas, sendo levados todos os objetos de valor. “Já roubaram defensivos, ferramentas, animais e até armas. Mais recente levaram o motor que puxa água nas caixas”.

Patrulha Rural é reativada na região de Guarapuava

A equipe da Revista do Produtor Rural conversou com o comandante do 16º Batalhão de Polícia Militar, Major Cristiano Cubas. Ele revelou que se vê preocupado com os relatos de furtos na área rural, na abrangência da 1ª Companhia da Polícia Militar. “Diante dos relatos, reativamos a Patrulha Rural. Essa patrulha não estava operante no 16º Batalhão porque as equipes tiveram que se congregar para formatar as Rotans e o Choque. Mas preocupado com a situação de crimes rurais, reativamos. Sabemos que os produtores rurais precisam muito do aparato militar”.

“Há alguns anos, essa Patrulha Rural já acontecia na região, mas foi desativada. O Sindicato Rural de Guarapuava vinha atuando para que a patrulha fosse reativada e agora conseguimos. Isso trará mais segurança para área rural”, destaca o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava, Rodolpho Luiz Werneck Botelho.

A Patrulha Rural atuará na área da 1ª Companhia da PM, que envolve oito municípios: Pinhão, Reserva do Iguaçu, Foz do Jordão, Candói, Campina do Simão, Goioxim, Turvo e Guarapuava. “Além do itinerário, haverá um trabalho de visita aos produtores rurais, para que possamos oferecer um trabalho melhor aos nossos proprietários rurais”, detalhou Cubas.

O comandante afirma ainda que a Polícia Militar sempre tenta atender a todos, mas que há uma limitação de efetivo. “Hoje o índice de defasagem do 16º Batalhão é de 47%. Quase 50% do efetivo é inexistente. Então, às vezes, precisamos resolver um problema aqui e deixar outro pendente e acabar se ajudando em outros formatos de policiamento para que a gente possa oferecer essa resposta a todos”.

Cubas destaca ainda que é importante sempre o produtor rural entrar em contato com a Polícia Militar e registrar a ocorrência. “Algumas vezes, o proprietário rural em virtude de ser abigeato, por exemplo, de um animal somente, acaba não comunicando os organismos policiais. Esse é um erro. Como iremos fazer um patrulhamento com ação no local onde não ocorreu o crime? Então é de suma importância de que se o proprietário rural constatou uma irregularidade, abigeato, que comunique aos organismos policiais militares. Se não preenchermos o boletim de ocorrência, esse crime não chega ao nosso sistema e não temos como oferecer um atendimento melhor nessa localidade, porque não tivemos a informação do crime”.

Grupos de whatsapp sobre segurança rural

O Sindicato Rural de Guarapuava criou grupos regionais de WhatsApp para tornar mais rápida e eficiente a troca de informações entre os produtores e a PM.

Conforme destacou o presidente do sindicato, Rodolpho Botelho, os grupos são coordenados pela entidade. Com isso, o objetivo é que os participantes possam entrar em contato, de forma ágil, tanto entre si, quanto com a Patrulha Rural, em Guarapuava, Pinhão, Campina do Simão, Foz do Jordão, Candói, Goioxim, Turvo e Reserva do Iguaçu. Os interessados podem procurar o Sindicato Rural.

Monitoramento por câmeras

Uma das opções do produtor rural para tentar coibir as ações de furtos nas propriedades rurais pode ser o monitoramento por câmeras. O Grupo Zanardo é uma das empresas que oferece o monitoramento na área rural na região de Guarapuava.

O gestor do Grupo Zanardo em Guarapuava e região, Fellipe Silvester explica que a empresa atende o meio rural há mais de 15 anos. “Atendemos os municípios de Reserva do Iguaçu, Goioxim, Pinhão, Candói, Cantagalo, Guarapuava e Campina do Simão. São, em torno, de 250 propriedades rurais atendidas nestes municípios”.

A empresa oferece os serviços de câmeras, alarmes, sistema de monitoramento de imagem com imagens ao vivo, monitoramento com drone, rondas com equipe física e visitas mensais aos produtores rurais atendidos.

Campos Gerais tem Patrulha Rural Comunitária Regionalizada

Um projeto pioneiro nos Campos Gerais foi implementado pelo 4º Comando Regional da Polícia Militar (CRPM). Visando atender as áreas rurais de forma diária e contínua, a Patrulha Rural nos munícipios de Ponta Grossa, Tibagi, Jaguariaíva, Castro, Ipiranga, Piraí do Sul, Ortigueira e Teixeira Soares está atuando com quatro policiais militares divididos em duas guarnições em regime de escala de 12x36. “Estes patrulhamentos terão caráter comunitário, isto é, estarão endereçados no estreitamento de laços comunitários e a consequente relação de confiança que será construída a partir da presença contumaz da polícia nestas regiões. A outra finalidade está acostada na necessária preservação do meio ambiente, aumentando-se a fiscalização ambiental de modo a coibir a extração desmedida de recursos naturais da região”, explicou o Tenente Coronel Edmauro de Oliveira Assunção, comandante do 4º CRPM.

Assunção explica que além de ter um policiamento presente no dia a dia, o contato diário da PM com os produtores rurais facilitará o processo de planejamento do policiamento, de acordo com a necessidade observada em cada região pela equipe da polícia. “As propriedades serão devidamente catalogadas em um banco de dados regional. Neste banco de dados estarão inúmeras informações, tais como: georreferenciamento do imóvel rural, fotografias, dados sobre as atividades econômicas praticadas na propriedade, informações dos habitantes e da vizinhança, maquinários agrícolas, dentre outros dados. Estas informações facilitarão à PMPR conhecer a realidade rural e com isto planejar melhor suas ações. Furtos de insumos agrícolas que são práticas comuns na região e de difícil resolução pela falta de dados condizentes poderão ter outra resposta, mais rápida e eficiente, tanto da PMPR como da Polícia Judiciária Estadual”, destacou o comandante.

O projeto visa também a criação de Conselhos Comunitário Rurais, que segundo Assunção é o ponto principal do projeto. Estes conselhos têm por objetivo ouvir a comunidade rural, seus anseios, sugestões e todo o tipo de informação que possa balizar a execução do policiamento rural/ambiental. “Assim, esses conselhos poderão contribuir, assumindo o compromisso de buscar o maior número possível de informações de suas respectivas localidades, trazendo-as a conhecimento da Corporação. Também através de grupos de redes sociais, os PMs estarão em contato direto com a população rural, atendendo de modo rápido e colhendo informações importantes para a segurança”.

Esperando um bom resultado do projeto piloto na região dos Campos Gerais, Assunção diz que certamente outras regiões do Estado poderão buscar sua implantação, pelo viés institucional e pela demanda dos produtores e comunidade rural como um todo.

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