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Grupo Pitangueiras

Quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Pecã: possibilidade de diversificação e rentabilidade

A Nogueira Pecã vem ampliando seu espaço no Brasil, principalmente, na região sul do Brasil, devido ao clima frio necessário para as árvores se desenvolverem. O país se tornou há pouco tempo o quarto maior produtor de noz-pecã do mundo, segundo o ranking do Conselho Internacional de Nozes, na Flórida (EUA), com produção de 3,5 toneladas de nozes. A Associação Brasileira de Nozes, Castanhas e Frutas Secas (ABNC) afirma que o país teve oito mil hectares dedicados à cultura em 2019.

O Rio Grande do Sul é o maior produtor da cultura. De acordo com dados da Secretaria de Agricultura do estado, a área cultivada é de 6,5 mil hectares. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná é o segundo maior produtor, com 615 hectares de área plantada, as terras paranaenses são responsáveis por 35% da produção nacional, com Valor Bruto de Produção (VBP) de 24,3 milhões. 

A cultura da Nogueira-Pecã vem sendo aderida por produtores rurais de Guarapuava e região há alguns anos. O Sindicato Rural de Guarapuava, por meio de parceria, vem fomentando este tipo de cultura na região, através da comercialização das mudas, informação e eventos técnicos.

Matilde Schneider foi uma das produtoras que viu na pecã uma possibilidade de atividade extra na propriedade rural. Seu marido, Daniel Schneider, teve contato com a cultura por meio do Sindicato. “Nosso pomar tem, aproximadamente, 10 anos. Na época, pensamos em um investimento a longo prazo. É uma coisa diferente e pode render lucro sem muita mão de obra”, comenta Matilde.

A produção das nozes no pomar de 100 árvores foi em maior quantidade esse ano e Matilde pretende vender localmente o fruto. Segundo a produtora, esse ano também tiveram problemas com formigas pela primeira vez. “Foi muita formiga. Alguns pés não resistiram. Mas no final, conseguimos controlar”.

Elton Lange outro produtor em Guarapuava conta que em sua propriedade já havia árvores antigas de nogueira pecã. “Tenho oito árvores antigas, com aproximadamente 40 anos. São grandes e produzem em bastante quantidade quase todos os anos. Resolvi investir em mais dez árvores há sete anos através do Sindicato Rural, estas começaram a produzir agora e em pouca quantidade ainda”. Ele diz que faz a comercialização das nozes de forma local, em média por R$ 20,00 o quilo.

Quanto ao manejo, Lange afirma que precisa fazer as podas regulares e que os problemas que ele teve foi o ataque de baitacas e gralhas. “Eu vejo dificuldade na colheita das nozes, dá bastante mão-de-obra, pois fazemos de forma manual”. De forma geral, o produtor acha que é uma atividade interessante, uma forma de diversificação na propriedade e ainda por meio do consórcio de ovinos, oferece bem-estar aos animais.

Pecanicultores em Cantagalo querem formar associação

Alguns produtores do munícipio de Cantagalo, pensando na perspectiva de mercado com a produção de nozes pecã, se uniram e estão formatando uma associação de pecanicultores. A ideia surgiu em 2018, em uma viagem ao Rio Grande do Sul para fazer curso sobre a cultura. “Percebemos a necessidade da mecanização para tratos culturais, colheita, descascamento e classificação das nozes. A associação é o meio que irá viabilizar a compra dos equipamentos, pois somos todos pecanicultores com pequenas áreas”, explicou Rudinei Miotto, produtor rural em Cantagalo e um dos organizadores da associação.

Atualmente, são cinco pessoas envolvidas na organização da associação. “A intenção é incentivar mais pessoas a produzirem, para que se tenha um volume que seja possível manter o fornecimento de castanhas ao longo do ano”, observa Miotto.

Glauber Luciano Kitor, outro produtor de Cantagalo que participa do grupo de pecanicultores, afirma que com um número maior de produtores, além da viabilização de comercialização das nozes, facilitará o investimento em ferramentas para o cultivo. “Pensamos que com maior número de adesão de produtores, podemos investir em implementos, estrutura, troca de informações para ampliar os pomares e fazer o melhor manejo”.

Investimento em informação também é uma das prioridades do grupo. “Sempre que ficamos sabendo de algum curso sobre a cultura, alguém do grupo participa e depois repassa o conhecimento para os demais. Além disso, trocamos informações sobre nossos pomares, pois cada um enfrenta diferentes situações e experiências”, conta Miotto.

Os planos futuros do grupo é ter pomares em produção daqui a alguns anos na região e com o material genético, produzir as próprias mudas, ampliar os pomares e quem sabe, até criar um viveiro de mudas.

Kitor possui dois pomares no Sítio Rio Divisa, na localidade de Campo Alto em Cantagalo: um com 140 árvores, onde metade foi inserida em 2015; em outro espaço implantou 120 árvores em 2016. “Ambos os pomares foram implantados em área de Capim Brizantha, cercadas com cerca elétrica para regime silvipastoril - consórcio com gado de corte. Tenho as variedades: Pitol 1 (produtora), Pitol 2 (produtora), Barton (produtora) e Imperial (polinizadora), Jackson (polinizadora) e Desirable (polinizadora)”.

O produtor afirma que o manejo das nogueiras é muito relativo. “Depende, em parte, da escolha do solo e da localização. No meu caso, sendo um solo irregular, algumas plantas se desenvolveram muito bem enquanto outras não. Seguindo as recomendações do viveiro que me vendeu as mudas, coloquei um tutor porque as corujas sentam nos galhos, que quebram se estiverem pequenos”.

No sistema silvipastoril, Kitor comenta que foi necessário cercar as árvores enquanto pequenas para que os animais não se esfregassem para se coçar. “No meu caso, para solucionar, utilizei cerca elétrica somente no perímetro triangular (3 a 4m²) de cada árvore, com fiação aérea”.

Segundo ele, dependendo do período de implantação e do tipo de solo, é importante o produtor ficar atento quanto à umidade. “Implementei meu pomar num período muito chuvoso e notei que houve infiltração de umidade da chuva na parte superior da planta, onde ela é destopada. Para que essas árvores não morressem, precisei fazer uma poda rigorosa, cortando-a abaixo de onde era possível perceber a infiltração, procurando fazer o corte acima do enxerto, onde o tronco ainda estava sadio. Também passei pasta bordalesa com cola Cascorez (papel e madeira). Creio que, no caso de mudas em raiz nua, que vem destopadas na parte superior, antes do plantio é interessante isolar com tinta a base de água ou pasta para que a poda seja o ideal e evitar transtornos desse tipo”.

Quanto as pragas ele conta que seu maior problema foi o besouro metaleiro (verde metálico), que há bastante na região de Cantagalo. “O besouro atacou severamente um dos pomares, e, curiosamente, praticamente não atacou o outro pomar. Fiz controle com Engeo Pleno, recomendação de um técnico”.

A expectativa de Kitor é que o pomar comece a produzir no próximo ano e ele tem uma boa expectativa de mercado. “O Brasil importa e há perspectiva de exportação do produto, caso haja volume suficiente no país. Em alguns encontros com especialistas ligados à UFSM/RS, nos foi repassado sobre essas perspectivas. Com a nogueira pecã, eu pude diversificar a propriedade, fazendo um melhor aproveitamento do solo e a partir disso, obter maior rentabilidade das áreas”.

Já Miotto tem um pomar com um ano de implantação. São 2,7 hectares com 390 árvores. “Até então o manejo não está difícil (poda de formação, inverno e verão). Besouro metaleiro no início da brotação, formiga cortadeira em todo o período vegetativo e lebre o ano todo foram os principais problemas”.

Para ele, a nogueira pecã teve o objetivo de atingir um mercado diferenciado, em busca de renda diversificada em uma área pequena.

Ivo Lopes é outro produtor de Cantagalo, participante do grupo de produção de pecã. “Meu pomar tem um ano. Plantei 85 mudas, mas acredito que hoje tem, aproximadamente, 60 árvores sadias. O manejo não é difícil para quem tem tempo de dedicação, no meu caso que são poucas árvores”. Lopes conta que teve problemas apenas com algumas pragas biológicas e formigas. “Tanto que estou aumentando a área de plantio e, dentro das possibilidades, pretendo adquirir novas áreas para poder expandir a plantação”.

Lopes comenta que, na sua opinião, a formação da associação irá fazer toda diferença. “Teremos mais chances de adquirir maquinário adequado; melhor poder de barganha com empresários do ramo; ideias novas a respeito do plantio, manejo, colheita; cultivares que melhor se adaptam para podermos fazer mudas e nos tornarmos uma referência”.

 

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