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Segunda-feira, 04 de outubro de 2021

Energia fotovoltaica: o sol a favor da redução de custos no campo

A cada dia, aumenta o interesse de produtores rurais por energia sustentável. São várias as opções disponíveis para produção de energia elétrica. Além de economizar na conta de luz, essas energias auxiliam na produtividade, já que são uma fonte limpa e segura de eletricidade. No caso da energia solar, trata-se também de uma alternativa para os locais onde o sistema elétrico convencional é inviável.

Segundo Luiz Eliezer Ferreira, analista do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR, a principal vantagem do produtor gerar a sua própria energia é a redução de custos. “Temos o cenário de crise hídrica, possibilidade de apagão, redução de incentivos na tarifa, final da Tarifa Rural Noturna, entre outros fatores que tem contribuído para o aumento da energia solar no campo”, observa.

O tempo de duração do uso da tecnologia solar é de, no mínimo, 25 anos. A energia é gerada por meio da luz do sol, que é captada por placas solares instaladas em áreas livres, geralmente em telhados. Compostas por células fotovoltaicas, a placas convertem luz do sol em energia elétrica, gerada em corrente contínua. Essa corrente passa pelos inversores fotovoltaicos interativos e é convertida em corrente alternada para ser utilizada pelas máquinas e demais equipamentos elétricos. O sistema funciona em conjunto com a rede elétrica e a energia solar gerada e não consumida é injetada na rede elétrica e emprestada de forma gratuita à distribuidora, voltando ao consumidor em forma de créditos energéticos.

Em relação ao custo final da instalação do sistema de energia solar, o estudo é realizado de acordo com a necessidades do consumidor. Entre os tópicos analisados, estão os níveis de radiação solar no local e sombreamentos, além de outras questões que envolvem a localidade e o tamanho das instalações.

RenovaPR e Banco do Agricultor

Buscando o desenvolvimento sustentável do Paraná, o governo estadual lançou o programa “Programa Paraná Energia Rural Renovável (RenovaPR)”, que apoia a geração distribuída de energia elétrica a partir de fontes renováveis, em especial biomassa e solar, em unidades produtivas rurais paranaenses. Também é considerada como fonte disponível a energia de Centrais Geradoras Hidrelétricas (CGH) e de Micro Centrais Geradoras Hidrelétricas (MCGH).

O produtor rural que tem interesse no sistema fotovoltaico já pode solicitar orçamentos de empresas do setor e verificar sobre financiamento nos bancos. “E importante ficar atento ao que cada empresa oferece de benefícios ao produtor, como tempo de garantia, sistema de aterramento, custo total da obra, homologação junto à Copel, licenciamentos ambientais, entre outros”, observa Luiz Eliezer Ferreira, analista do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR.

O Sistema FAEP vê com bons olhos o novo programa do governo, pois vai equalizar a taxa de juros em financiamentos de energia renováveis, incentivando o produtor a gerar sua própria energia de forma sustentável. “A expectativa é que todos os produtores que se beneficiam da tarifa rural noturna migrem para esse programa. O governo estadual garantiu que haverá recursos e o IDR vai fiscalizar esse projeto”, afirma Ferreira.

Juros Zero

Durante a Expotécnica, realizada de forma virtual, no dia 22 de julho, o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, falou sobre o incentivo para o produtor rural investir em geração de energias renováveis. “A geração de energia através do sol é uma delas. Desenvolvemos o Banco do Agricultor e o RenovaPR, duas linhas que permitem reduzir o custo do investimento, zerando os juros em 2021 e 2022. “O produtor vai ao banco onde já é cliente, faz o financiamento e o Estado do Paraná assume esses juros ao longo do projeto”, observou.

Todos os produtores rurais podem participar do programa – pequenos, médios e grandes. “Energia é um insumo cada vez mais necessário nos sistemas produtivos. Hoje tudo é automatizado (ordenha mecânica, resfriador de leite, aviários - aquecimento, resfriamento etc). Tudo isso demanda energia. E esta energia está ficando cada vez mais cara. Neste momento, estamos vivendo uma crise hídrica e energética. Além do custo da energia, estamos pagando mais pela energia - bandeira vermelha pelo menos até o final desse ano -, por isso a importância deste programa”, salientou Herlon Goelzer de Almeida, coordenador do Programa Renova Paraná Energias Sustentáveis.

Para usufruir do benefício de juros zero, o produtor deve ir ao banco manifestar o seu interesse em linha de crédito para energia solar. “Após escolher a empresa que executará o serviço, precisará se deslocar até o IDR-PR para preencher um formulário, dando entrada no processo. Na cédula constará que a taxa de juros é o Estado que vai pagar pela Fomento Paraná”, observou Almeida.

O Banco do Agricultor Paranaense é um instrumento que possibilita ao governo do Estado conceder subvenção econômica a produtores rurais, cooperativas e associações de produção, comercialização e reciclagem, e a agroindústrias familiares, além de projetos que utilizem fontes renováveis de geração de energia e programas destinados à irrigação, entre outros.

Segundo o Manual do Banco do Agricultor, em projetos de energia renovável são passíveis à concessão de subvenção econômica as operações de crédito contratadas para a realização de obras civis, aquisição de materiais e equipamentos e a elaboração de projetos de geração de energia a partir de fontes renováveis, como solar fotovoltaica e biomassa, com prioridade a projetos relacionados à Geração Distribuída ou Geração Isolada.

O Banco do Agricultor vai subvencionar a taxa de juros em energia solar para o limite de até R$ 500 mil e biogás até R$ 1,5 milhão. Os valores acima disto cada tomador do crédito banca a integralidade.

Em Guarapuava, o IDR fica na Rua Doutor Laranjeiras, 829 – Centro.

Propriedades com energia solar

Pensando em reduzir gastos e visando não ficar exposto a possíveis faltas de energia por geração normal, o produtor rural Carlos Eduardo dos Santos Luhm, investiu em sistema de energia solar em outubro de 2019. Na Fazenda Fênix, em Guarapuava/PR, ele financiou, na época, quase R$ 30 mil, por meio da Coamo (Cells - Engenharia Torres). Satisfeito, o produtor conta que o investimento se pagou em 2,4 anos. Com isso, ele já pensa em investir em outro conjunto. “Recomendo para quem ainda não tem na propriedade. É só fazer a análise de quanto gasta, do custo para implantação, verificar o valor que vai gerar e calcular o retorno do investimento”, observa.

Com o mesmo propósito, o produtor rural Cícero Kuntz instalou o sistema fotovoltaico na sua unidade de beneficiamento de batatas em Guarapuava/PR em dezembro de 2020. “São várias as razões que nos levaram a investir em energia solar, dentre elas, economia na conta de energia elétrica, facilidade de recuperação de investimento, proteção contra aumentos de tarifa de energia, além do compromisso com o meio ambiente, através da geração de eletricidade a partir de uma fonte limpa e renovável”, conta.

O investimento foi de R$ 704 mil e mesmo tendo várias opções de aporte de crédito, ele optou por utilizar recurso financeiro próprio para concretizar o projeto, executado pela empresa Eletrotrafo, especializada em energia solar em Guarapuava.

“Estamos muito satisfeitos, fazemos o acompanhamento mensal do retorno de investimento e tivemos um retorno de quase 12% nesses oito meses de instalação. Ainda não se pagou, mas está dentro das expectativas”, revelou.

Para Kuntz, a principal vantagem é a economia gerada com a conta de luz, que tem variado entre 40% até 60% do valor que era pago antes da instalação do sistema. Ele prevê que o retorno do investimento será de cerca de três a cinco anos. “E como as placas solares têm vida útil em torno de 25 anos, teremos o benefício da redução de gasto por um longo período. Usufruímos da economia de energia em três Unidades Consumidoras, no beneficiamento de batatas, na sede administrativa aonde também temos o beneficiamento de sementes de batata e na residência”, explica.

O produtor acredita que a energia solar pode ser extremamente benéfica para reduzir os custos de produção de qualquer operação agropecuária. Perguntado sobre o que faria diferente, ele conta que não teria esperado tanto tempo para investir em energia solar.

Também de olho na possibilidade de gerar a própria energia e com proposta de retorno do investimento em cinco anos, o produtor rural Marcos Thamm instalou, em 2019, o sistema fotovoltaico na Fazenda Butiazinho, no município de Pinhão/PR.

O projeto, elaborado pela empresa Solaris, por intermédio da Coamo, foi feito para atender a demanda da fazenda e o consumo de quatro residências. O sistema é composto por 54 placas, totalizando um investimento de aproximadamente R$ 70.000,00.

Com a experiência, Thamm recomenda que os produtores que queiram gerar sua própria energia se assegurem das garantias dos equipamentos oferecidas pelo fornecedor e fiquem atentos quanto à instalação de dispositivos (DPS) de segurança. “É importante também a contratação de seguro do investimento”, observa.

Inclusive, hoje o seguro vem para proteger todo o sistema de energia solar e garantir as indenizações para casos de incêndio, queda de raio, explosão, vendaval, granizo, podendo contratar também danos elétricos e roubo. “O valor da contratação pode ser parcelado e podemos realizar o seguro com equipamentos limitados a 15 anos de uso, ou seja, se você já tem o equipamento instalado, podemos realizar o seguro e deixar seu equipamento segurado”, explica a proprietária da Evidência Corretora de Seguros, Lilian Cadore.

Recomendações para o produtor

O Sindicato Rural de Guarapuava alerta o produtor para a importância de realizar pelo menos três orçamentos com empresas do setor. A empresa vai pedir a conta de energia para analisar o histórico de consumo mensal. Com a média de consumo, vai simular o custo de instalação de um sistema de energia solar. Essa simulação vai mostrar o valor do custo do projeto e quantidade de placas necessárias para a propriedade, além do espaço ideal para a instalação das placas. Existe a opção de instalar as placas no solo ou telhado (depende da estrutura e tamanho do telhado).

Com o orçamento em mãos, é importante observar a garantia do sistema instalado; inclusão do sistema de aterramento; custo total da obra; responsabilidade da empresa pela homologação junto à Copel e caso haja necessidade de licenciamento ambiental, se está incluso no orçamento.

Recomenda-se ainda visitar projetos finalizados pela empresa e conversar com o proprietário sobre a obra, como foi o pós-venda, a manutenção e outros.

Vários fatores importantes devem ser observados no orçamento das empresas antes da contratação, como a potência total de geração instalada (kwp), geração média estimada, marcas dos equipamentos, entre outros. “Fizemos orçamentos com sete empresas e com a mesma conta de luz, houve grande variação na potência, marcas e consequentemente, no valor total da obra. Antes de fechar o negócio, é importante tirar todas as dúvidas para não ter problemas futuros”, aponta a gerente do Sindicato Rural de Guarapuava, Luciana de Queiroga Bren.

Empresas do setor fotovoltaico de olho no campo

Segundo dados de 2020 da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), o setor rural responde por 13,2% da potência instalada no Brasil e os investimentos nas propriedades passam de R$ 1,7 bilhão.

No ano passado, a capacidade instalada de projetos solares saltou 64% em comparação a 2019. Para 2021, as projeções da Absolar apontam um crescimento de 70% em relação à potência atual, atingindo 7,5 gigawatts (GW). Esse crescimento de adesão à tecnologia está relacionado à redução de impostos de importação dos equipamentos, maior disponibilidade de linhas de crédito e aumento da tarifa de energia elétrica.

Este cenário vem favorecendo o surgimento de novas empresas do setor fotovoltaico, que voltam grande parte de sua atenção para o campo, onde os gastos com energia elétrica são altos e pesam significativamente no custo de produção.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Brasil possui 200 mil empresas de energia solar registradas.

Empresários satisfeitos

Foi após a análise de vários orçamentos e sob recomendação de um eletricista que o empresário guarapuavano Márcio Karpinski fechou contrato com a empresa Raltec Energia Solar. No seu negócio – restaurante – a energia lidera a planilha de custos geral. O investimento de 240 mil, financiado pelo Sicredi, foi feito em outubro de 2020 e a geração iniciou em março deste ano. “Estamos pagando o financiamento, ao invés da conta de energia elétrica. O retorno será em 36 meses, no máximo. Quando terminar de pagar esse investimento, minha margem de lucro aumentará. Estou muito satisfeito. Não existe aplicação financeira que gere o retorno que a energia solar proporciona”, comenta o empresário.

Também do ramo alimentício, o empresário Aldir Luiz Andrade investiu, há 10 meses, em energia solar em seu restaurante. Após vários orçamentos, ele optou pela Refac Solar pelo atendimento, valor da obra e negociação. “Estou bastante satisfeito. Pagava de R$ 1.500,00 a R$ 1.800,00 de energia elétrica e agora pago a taxa mínima, de R$ 150,00. Utilizo o excedente gerado na minha residência e o investimento será pago em até três anos”, conta.

O empresário investiu R$ 50 mil para produção de 2.000 kw e optou pelo financiamento no banco em que é cliente. “A energia elétrica tem subido em torno de 15% todos os anos. Portanto, o sistema fotovoltaico é, sem dúvida, muito vantajoso. Vou pagar o investimento em três anos e como a produção é de 20 anos, terei 17 anos de lucro”, observa.

Proprietária de um mercado o distrito de Palmeirinha, em Guarapuava, a empresária Regiane Wachholz, também investiu em energia solar, em abril deste ano, pensando em economia.  Após vários orçamentos, escolheu a empresa Intelbras e fez o financiamento bancário em 36 vezes. “Optei por esta empresa pela rapidez da instalação. O investimento foi de R$ 150.000,00 e estou muito satisfeita. Minha conta de energia está R$ 110,00. Antes da energia solar, pagava até R$ 3.800,00 por mês”, revela.

Regiane não conseguiu aproveitar a energia para sua residência porque o local onde fica o seu mercado é de responsabilidade da Copel e onde ela mora, é a Energisa. “Mas recomendo para outras pessoas, pois tem um ótimo retorno. Mesmo nos meses com dias de frios e de sol mais fraco, a energia solar está sendo suficiente para o meu consumo”, afirma.

Caminho sem volta

Certo é que aqueles produtores rurais que ainda não investiram em sistema fotovoltaico, vão investir! O produtor rural Rene Bandeira pretende fazer o investimento em um futuro próximo, para começar a ter um resultado financeiro economizando na conta mensal de energia. Ele já fez orçamentos e conta que os preços estão variando, de acordo com o projeto e a marca dos materiais. “Procuramos avaliar, principalmente, a idoneidade da empresa e a marca dos equipamentos”, observa.

O produtor rural Deodoro Marcondes também pretende reduzir despesas de energia elétrica, consequentemente, dos custos gerais, com o investimento em energia solar. Ele está na fase de avaliação de orçamentos. “O que me deixou intrigado foi a diferença do custo da obra para financiar e para pagamento à vista. Chega a 20% (a mesma mercadoria). O que ocorre é que o BNDES não financia produto importado. Se o equipamento vem montado da China, ele consta como importado é não é passível de financiamento. Só pode pagar à vista. Se o mesmo equipamento vier desmontado da China e for montado aqui no Brasil, desta forma, tem código de Finame, pode ser financiado pelo BNDES e isso dá uma diferença de 20%. Ao meu ver, é o mesmo que o juro embutido no financiamento fosse de 20%. Inviabiliza financiamento via BNDES. E não existe produto nacional nesse ramo, só chinês”, observa Marcondes. Por esse motivo, o produtor revela que vai fazer o investimento, com recursos próprios, ainda esse ano.

Sindicato Rural sedia treinamentos para mão-de-obra neste setor

A Distribuidora Guarapuava realiza treinamentos na área de energia solar para a Intelbras no Sindicato Rural de Guarapuava. A empresa também promove treinamentos em outros ramos de atividade que a Intelbras atua.

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